Há vinte anos, o abrigo vive desses biscoitos.
Meu nome é Fátima. Tenho 54 anos e sou freira há mais de trinta.
Todos os dias, levo minha cesta para a rua. É com a venda dos biscoitos que sustento as crianças do abrigo.
Elas precisam de comida, de cuidado e de alguém que continue ali. Foi por elas que nunca parei.
Um caroço mudou o que eu precisava pedir.
Há oito meses, apareceu um caroço no meu pescoço. Era pequeno, e eu continuei trabalhando.
Mas ele cresceu. A Irmã Verônica insistiu para que eu procurasse um médico.
Na consulta, descobri que era um tumor. O médico me deu 45 dias para fazer a cirurgia.
Naquela noite, a oração também foi por mim.
Esperei as crianças dormirem e me ajoelhei sozinha na capela.
“Senhor, a vida inteira eu pedi pelas minhas crianças. Hoje eu vim pedir por mim.”
Mas, mesmo naquele momento, era nelas que eu pensava. Se eu faltar, quem vai cuidar de quem eu amo?
A mais nova tem só quatro aninhos.
Aqui vivem crianças que não têm mais ninguém. Esse abrigo é o meu propósito.
Por isso continuo levando os biscoitos para a rua, mesmo com a orientação de repousar.
Quero fazer a cirurgia para continuar presente. Para seguir cuidando dos pequenos que dependem de mim.
A venda mantém o abrigo. A cirurgia precisa de ajuda.
Todo o dinheiro dos biscoitos vai para as necessidades das crianças. A cirurgia custa mais do que eu e o convento temos.
Fiz as contas: precisaria de mais de cinco anos de vendas para juntar o valor.
Eu não tenho esse tempo. Sua contribuição pode me ajudar a realizar a cirurgia. Se não puder doar, compartilhe.